imagem de topo Missão China 2007

Blog

O acordo

No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.

O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.

O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.

Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)

Rolando Borges Martins
Parque EXPO 98, Presidente
30/01/07

Empresários portugueses na China querem explorar "factor Figo"

Sun Bing, de 28 anos, vende estatuetas num mercado de Pequim e nunca viajou para fora da capital chinesa. Mas mal ouve a palavra Portugal, agarra num jornal com que embrulha os produtos e aponta logo para um a fotografia de Luís Figo.

É este "factor Figo", a associação de ideias entre Portugal e a excelência do produto - ou, neste caso, do jogador de futebol - que diversos representantes das 27 empresas portuguesas com actividade na China gostariam de ver nas suas áreas de negócio. E esperam para isso a ajuda do primeiro-ministro português, que visita a China entre 30 de Janeiro e 4 de Fevereiro.

"A China precisa de conhecer melhor Portugal, a sua cultura, os seus produtos, a sua economia", disse à agência Lusa Richard Deng, director na China do escritório de representação da SPI - Sociedade Portuguesa de Inovação, uma consultora de negócios internacionais na área da inovação que opera na China desde 1999.

"O que esperamos é que a visita de José Sócrates ajude a promover a imagem de Portugal e reforce a colaboração entre os dois países, entre as empresas portuguesas e chinesas. Precisamos de mais actividades de promoção da imagem de Portugal e das empresas portuguesas", acrescentou Deng.

Romeu Caetano, director-geral da Round G, uma consultora de gestão imobiliária presente há 1 ano na China, concorda com Richard Deng, e afirma que "Sócrates deveria aproveitar a viagem para divulgar a realidade portuguesa e os produtos com capacidade de competir no mercado chinês".

"Macau é das poucas referências que os chineses têm sobre Portugal. Espero que o primeiro-ministro consiga divulgar Portugal junto dos investidores chineses", acrescentou.

Segundo dados do ICEP, relativos a Dezembro de 2006, sem contar com Macau e Hong Kong, existem 27 empresas portuguesas na China, a quarta economia mundial seguir aos Estados Unidos, Japão e Alemanha.

Das 27 empresas que deram a conhecer ao ICEP a sua presença na China, 13 funcionam com escritórios de representação, sem poder fechar negócios ou exercer actividades que criem lucros directos; oito em parcerias com empresas chinesas; e seis totalmente detidas pelo investidor português.

Mas quer exportem quer importem, numa coisa os empresários portugueses na China contactados pela agência Lusa estão de acordo: é preciso fazer mais pelas empresas de Portugal na China, tanto na imagem como no ambiente de negócio, e a visita de José Sócrates é uma oportunidade a não perder.

Para Joaquim Carvalho, director-geral da fábrica da Iberomoldes, que se instalou em 2003 na China e produz moldes para plásticos na cidade de Ningbo, na província oriental de Zhejiang, o primeiro-ministro português deveria aproveitar a viagem para firmar protocolos bilaterais que facilitem o investimento português.

"Sócrates poderia discutir as condições económicas para o investimento e para entrada de empresas portuguesas na China. O capital social exigido é relativamente alto e existem outros requisitos legais que são limitativos", considerou o responsável.

Outra das tarefas que Romeu Caetano gostaria de ver José Sócrates cumprir seria "a divulgação de Portugal enquanto destino de investimento junto dos investidores chineses", até para ajudar a equilibrar a assimetria entre o investimento português na China, que já é baixo, e o investimento chinês em Portugal, que é ainda menor.

A China, uma das maiores potências económicas mundiais, ocupava em 2005 apenas a 59ª posição na lista dos investidores em Portugal, segundo os dados do Banco de Portugal, que calcula ainda que o investimento chinês em Portugal tenha sido apenas de 206 mil euros em 2005, enquanto o investimento de Portugal na China foi de 1,046 milhões de euros.

Um das empresas portuguesas a investir na China, no ano 2000, foi a AM&M, que estabeleceu na província oriental chinesa de Shandong a fábrica da Weihai Moreira's Carpet que faz entrar em Portugal os tapetes de Arriaolos "Made In China", a uma fracção do preço dos tecidos em Portugal.

Sun Yi responsável chinês da empresa, diz que a Moreira's Carpet produz cerca de 100 metros quadrado de Arraiolos por mês, mas queixa-se que a subida do preço da mão-de-obra vem tornando cada vez mais difícil o negócio.

"A visita de José Sócrates poderia levar a contactos com o governo loca l, para que pudesse apoiar a contratação de mais trabalhadores e permitir a entrada na província de mão-de-obra rural, que mantivesse mais baixos os salários", disse Sun.

Apesar da existência de boas infra-estruturas, dos salários baixos em comparação com a Europa e da presença num grande mercado, os empresários contacta dos são pessimistas em relação à entrada de empresas portuguesas no mercado chinês.

Joaquim Carvalho alertou que o tempo se está a esgotar para entrar no mercado chinês, mas afirma que "como bons portugueses que somos, vimos sempre na carruagem de trás".

"Quando o primeiro-ministro chegar, vai ter oportunidade de ver espanhóis, italianos, franceses envolvidos em parcerias com empresas chinesas, e nós não temos nada," lamentou.

"A nossa indústria é muito pouco competitiva em comparação com a chinesa. Não podemos continuar de costas voltadas para os nossos concorrentes, a solução é juntarmo-nos a eles através de parcerias, para não perder o mercado", considerou o responsável da Iberomoldes.

As empresas portuguesas na China distinguem-se entre as que estão no país para vender, como a Iberomoldes, a Amorim e a Yantay Kylin, dos produtos de cortiça, a Tekever, Altitude e CTCC-Archway, das tecnologias de informação, a Filstone, de pedras ornamentais, as Caves Arcos dos Reis, dos vinhos, ou a Efacec, do sector da electromecânica, e as empresas que estão na China para comprar, com o a Cleverplus, os hipermercados Modelo Continente ou a empresa têxtil Organtex.

Os outros dois grandes grupos de empresas portuguesas são os escritório s de representação dos bancos (Milennium BCP, Espírito Santo e Caixa geral de Depósitos/BNU) e diversas consultoras de negócio, como a Edeluc, Market Access, SP I ou a Round G.

Romeu Caetano disse que a Round G não espera tirar quaisquer vantagens da visita de José Sócrates, e também se mostra pessimista quanto à possibilidade das empresas portuguesas encontrarem espaço na China, para além da simples importação e exportação.

"A nível da produção em concreto, julgo que estamos já atrasados", considera o empresário, que diz ver "bastantes dificuldades neste mercado para as em presas portuguesas".

Uma opinião que Sun Yi partilha, afirmado que, com o preço da mão-de-obra a crescer cada vez mais, "os investimento que têm no trabalho o factor de produção essencial, deixaram de fazer sentido. Sobra o investimento nos sectores financeiros, por exemplo".

Com a pauta das vendas para a China a basear-se sobretudo nas máquinas e aparelhos, nos metais como os resíduos e sucata de cobre, e nas pedras para a construção e a madeira e a cortiça, alterar a estrutura das exportações portuguesas deverá ser uma tarefa a cumprir pelo governo de José Sócrates.

A imagem de Portugal, de momento, está nas mãos, e nos pés, de Luís Figo.

28/01/2007 - 18:59 | Rui Boavida, Lusa

Galeria de Imagens

O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
  • O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
  • Primeiro Ministro, José Sócrates, no início da visita à Torre de Macau, ao lado em empresário Stanley Ho
  • Primeiro Ministro, José Sócrates, com responsável da pasta da Economia e Finanças do Governo de Macau, Francis Tam

Sabia que...

A China tem o quarto maior PIB global do mundo.

Portal do Governo 2007