imagem de topo Missão China 2007

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O acordo

No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.

O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.

O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.

Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)

Rolando Borges Martins
Parque EXPO 98, Presidente
30/01/07

No recreio brinca-se em português, na sala fala-se mandarim

Andam na Escola Chinesa de Lisboa para saber falar a língua dos pais ou para, pura e simplesmente, lhes fazer a vontade. Ao sábado, muitas crianças e adolescentes de origem chinesa reúnem-se nestas aulas. Aprender o idioma não é fácil, admite a directora da escola. À medida que a dificuldade aumenta as turmas perdem alunos.

De camisolão branco com um capuz de uma marca que faz lembrar a praia e o surf, Gerson, de 14 anos, está recostado na cadeira a ouvir um colega a ler. Noutra sala as amigas Sara e Xinyi, de cinco e seis anos, lêem as palavras escritas no quadro. Na antiga escola primária do Bairro das Colónias, em Lisboa, ao sábado só há meninos chineses a correr, a brincar. Os mais pequenos gritam e riem, os mais velhos falam em português. É a Escola Chinesa de Lisboa, que só funciona neste dia da semana.

Na sala 5 estão os mais pequenos, com cinco e seis anos. As 15 carteiras de dois lugares estão lotadas. Eles com os cabelos pretos muito espetados, elas com os cabelos brilhantes, bem penteados e cheios de ganchos e molas coloridas, seguem atentamente o que a professora e directora da escola lhes ensina.

Chen Xiaohong, com um longo ponteiro de bambu na mão, vai debitando as palavras no quadro, projectadas a partir do computador portátil. Quando pára, há 30 vozes que lhe sucedem numa cantilena ritmada. O que estão a aprender? "Não sei... Acho que é sobre a história da China", responde Magno, 12 anos, atrapalhado. Ele, o irmão Filipe (10 anos) e Quian (11) são dos mais velhos, sentados na última fila, porque estão menos familiarizados com o idioma. Os mais pequenos já nasceram em Portugal. Em casa falam português ou o dialecto da terra dos pais - poucos sabem mandarim, explica a directora.

Foi em 2000 que as aulas em Lisboa começaram, apenas para 17 alunos, nas instalações da Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa. Este ano, a Associação para a Promoção do Ensino das Línguas Chinesa e Portuguesa fez um protocolo com a autarquia e mudou de instalações. Os alunos, dos quatro aos 17 anos, já são 200. Ao sábado aprendem mandarim, caligrafia e dança chinesa.

Saber 2000 palavras em três anos

Onde existe uma comunidade chinesa há uma escola; em Portugal é conhecida pelo menos mais uma, no Porto, diz Chen Xiaohong, que lamenta que não existam outras experiências semelhantes, mas que assume que "aprender chinês é difícil", mesmo para os descendentes.

Primeiro aprende-se a falar e a ler e só depois a escrever. São precisos dois a três anos para saber dois mil caracteres, ou seja, duas mil palavras. Com esse mínimo já é possível compreender 95 por cento do que se lê - um dicionário pode ter mais de dez mil caracteres, explica.

Também é por ser difícil que tão poucos chegam à turma dos mais velhos. À medida que a dificuldade aumenta o número de alunos diminui. Zhemin Ding, professor voluntário, há um ano em Portugal, a trabalhar numa multinacional, explica que procura motivar os alunos através da discussão de textos como o que ontem trabalhavam: uma notícia de uma revista norte-americana. Os três alunos, de 16 anos, lêem e debatem o desenvolvimento económico e como é que os ocidentais olham para a China. Tudo em mandarim.

Na sala 10 os livros estão abertos, mas os alunos aprendem a fazer dobragens em papel. Das suas mãos saem complexas torres de papel que empilhadas se transformam num pagode chinês. Xi, uma menina de 14 anos, gosta de ler os textos que contam lendas.

Os amigos chineses não são muito diferentes dos portugueses, confessa. E tem razão. As vozes noutra sala ouvem-se do corredor: "Queres guerra? Vais morrer!", "És tão inocente!", "Pára com isso, seu estúpido!". Há bolas de papel e bocados de borracha que voam, que a professora finge não ver. Alheia ao burburinho, continua a avaliação à leitura.

Há um grupinho que não está com atenção. A professora, que não fala português, pede a um deles que leia. "Diz-lhe que te esqueceste do livro", incentiva um. "Diz que não sabes ler", exclama o outro. Gerson ri-se, mas lê. Bem.

No final da aula, os adolescentes confessam que estão ali porque os pais querem, que tudo aquilo é "uma perda de tempo". Por fim, mais sérios, dão o braço a torcer: "Sim, é importante aprender chinês."

28/01/2007 - 19:30 | Bárbara Wong, Publico

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O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
  • O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
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