
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
Rendida ao bacalhau, ao sol e à simpatia dos portugueses, a comunidade de 20 mil chineses cria raízes no extremo do Mundo oposto ao seu país. De Vila do Conde a Porto Alto, dos velhos aos jovens, são poucos os que um dia esperam voltar. Acreditam em Portugal como terra de oportunidades e trazem na bagagem negócios da China.
Da visita do primeiro-ministro, José Sócrates, ao seu país, entre 30 de Janeiro e 4 de Fevereiro, os chineses residentes em Portugal desejam que esta resulte em mais oportunidades de negócios para os empresários portugueses no maior mercado do Mundo.
“Só assim”, explica Liang Zhan, director do jornal ‘Sino’, “as relações entre os dois países poderão crescer”. “Só uma relação equilibrada, em que ambos invistam e ambos comprem produtos dos dois países, fará crescer as economias e com isso fazer com que mais produtos chineses sejam vendidos em Portugal e que o contrário seja também verdade”, refere.
“Uma relação desequilibrada não tem futuro”, sustenta, salientando ainda que “Portugal deveria fazer mais acções de promoção do seu turismo na China, a fim de cativar alguns dos dez milhões que todos os anos viajam para o estrangeiro”.
O especialista em medicina tradicional chinesa Pedro Choy, nascido em Macau, filho de pai português e mãe chinesa, deseja também um reforço de Portugal na China.
“Os supermercados chineses estão neste momento cheios de produtos da Europa, porque o país está ávido de produtos ocidentais. A minha maior desilusão quando lá vou é não ver à venda nada de Portugal”, diz o médico-empresário, dono de 20 clínicas de medicina chinesa abertas no nosso país.
“Os chineses consomem azeite europeu de péssima qualidade, quando não há lá uma única marca portuguesa à venda e o mesmo acontece com o vinho. Penso que na deslocação do primeiro-ministro à China deveria ser dado um maior impulso para o crescimento das exportações”, diz Pedro Choy.
Sobre a presença crescente de produtos chineses em Portugal, Pedro Choy afirma que “não podemos ter medo da concorrência”. “É preciso termos consciência de que os chineses vendem no nosso país aquilo que queremos comprar. Não só produtos baratos e de má qualidade, mas também material informático e peças para carros. Isto acontece porque a China é o maior fabricante a nível planetário e, como todos os outros países, nós também temos de aproveitar o que eles têm à venda.”
Especialista a vender em Portugal o que os chineses produzem, Chen Jian diz que encontrou no nosso país o sítio ideal para viver, uma vez estabelecido na venda a retalho na Grande Lisboa e no Grande Porto. Interrogado se espera voltar à China, Chen diz que por enquanto prefere viver no nosso país, onde os dois filhos frequentam a escola em Benavente.
Em Lisboa, Chzn abriu há 14 anos o restaurante Jumbom, na avenida Conde de Valbom. Os portugueses ganharam o gosto pela galinha com amêndoas e pelo porco doce. Ele, em contrapartida, já não passa sem o bife com batatas fritas.
Sobre os casos recentes de restaurantes chineses fechados por falta de higiene, confirma que isso levou a uma redução de clientes. “Mas o negócio continua.” Prova disso é que não pensa voltar para a China. Lin, empregada do restaurante e familiar de Chzn lembra que “o patrão tem a família cá. Para quê voltar?”
Esta é uma pergunta para a qual Jing Huang, de 20 anos, não tem resposta, uma vez que o seu coração está dividido entre o país de origem e Portugal. Estudante universitária, a frequentar o segundo ano de Gestão, em Lisboa, chegou a Portugal com nove anos.
A exemplo da esmagadora maioria dos chineses que vivem em Portugal, Jing veio da província de Zhejiang, próxima da cidade de Xangai, e uma das mais ricas da China, onde vivem 47 milhões de habitantes. Jing Huang vivia na principal cidade da província, Wenzhou, com um milhão de habitantes – e que, incluindo os subúrbios, engloba sete milhões.
“No início foi uma grande desilusão vir de uma grande metrópole para uma cidade pequena como Santarém. Depois existia também a barreira da língua, que me impedia de brincar com as outras crianças. Mas, com o tempo, a adaptação surgiu facilmente.” Hoje, Jing Huang está a tratar do processo para obter a cidadania portuguesa e diz que “o coração pesa mais para continuar a viver em Portugal”. “Mas, se calhar, é uma opção errada. Há estimativas que apontam para que a China na próxima década se transforme na maior economia mundial e, com o curso de gestão e sabendo falar português e inglês, possivelmente terei mais oportunidades de emprego na China”, referiu.
A jovem entende que o aumento da concorrência no comércio que resultou da chegada de lojas chinesas coincidiu em Portugal com o surgimento de ideias erradas e desagradáveis sobre os chineses. “Os meus pais têm um restaurante em Santarém, desde 1994. Por várias vezes foi fiscalizado e estava sempre tudo em ordem, chegou a receber um diploma de qualidade. Agora, viu a clientela desaparecer porque surgiu a ideia errada de que só fechavam restaurantes chineses. É muito duro.”
Desce a popularidade dos restaurantes chineses em Portugal, sobe o número de clínicas de medicina tradicional. Hoje, em Mem Martins, Sintra, abre um novo espaço, a Medicarepoints.
Pedro Choy diz que “há uma aceitação muito grande desta medicina” e acrescenta que todos os anos surgem 24 mil novos clientes nas suas clínicas. O especialista em medicina tradicional acrescenta que o maior problema existente no sector é o vazio legal, que permite aos “charlatães instalarem-se no nosso país, sem que tenham de provar os conhecimentos que possuem”.
Chegados a Portugal, os chineses educam os filhos no meio da cultura portuguesa e a aprendizagem na escola é em português. Por isso, há chineses de segunda geração que se sentem cada vez mais portugueses. João Miguel Chenmei é um exemplo. Com cidadania portuguesa, aos 15 anos sonha com o futuro no futebol de Portugal ou num outro país da Europa. Adepto do Benfica e tendo como modelo Simão Sabrosa, João Chenmei é, segundo o seu treinador, Rui Mega, dos juvenis do Odivelas Futebol Clube, “um elemento fundamental da equipa e contamos com ele domingo a domingo”.
Com os chineses de Porto Alto conta também a autarquia local para o progresso da região. Hélio Justino, presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia, refere que desde “há cinco anos a zona industrial sofreu um impulso com a venda a retalho dos chineses”. No entanto, “a presença é um pouco contestada pelo comércio local português”, disse. Classificada como uma comunidade pacífica, o autarca refere que há, por parte dos chineses, pouco envolvimento com a sociedade local.
A realidade está contudo a mudar: a primeira vaga de imigração chinesa, na década 80, tinha como objectivo ganhar a maior quantidade de dinheiro possível, nem que para isso fosse necessário trabalhar 12 ou 16 horas. Mais de 20 anos depois, os seus filhos têm prioridades bastante diferentes. Mas também os recentes imigrantes do maior país asiático não querem só ouvir falar de trabalho.
Y Ping Chow. de 48 anos, presidente da Liga dos Chineses, tem três filhos, todos com formação superior em áreas que vão da Gestão à Engenharia Ambiental. Empresário desde sempre e com mente empreendedora, teme agora pelo futuro dos negócios familiares.
“As minhas preocupações são com os meus negócios e com os meus filhos. Estão todos no Ensino Superior e adquiriram a mentalidade de funcionários públicos. Só querem estar atrás de uma secretária. Pretendem ter uma vida mais relaxada, com fins-de-semana no campo”, afirma, entre risos, Y Ping Chow.
Mas a mudança de mentalidades ganha também força nos chineses que vieram recentemente para Portugal. “Já não é como antigamente, em que vínhamos para trabalhar muito e ganhar o que se pudesse. Hoje querem trabalhar menos e ganhar mais”, acrescenta o líder da comunidade.
O que também se tem alterado consideravelmente ao longo dos tempos é o foco do negócio. Se no princípio dos anos 80 foi o ‘boom’ dos restaurantes e, na década seguinte, se assistiu ao crescimento dos armazéns, nos últimos seis anos a moda são as lojas.
“Os chineses que antes chegavam montavam um restaurante porque não havia concorrência e eram mais lucrativos. Os que chegaram em 2000 já estavam na Europa e tinham contactos com as indústrias da China. Era mais fácil para esses criar uma loja do que um restaurante”, afirma Y Ping Chow.
Processo semelhante viveu Ye Peirong, de 66 anos, apesar dos motivos serem diferentes. Radicou-se na Póvoa de Varzim há 23 anos e montou o primeiro restaurante chinês daquela localidade, numa altura em que a culinária oriental ainda não estava muito disseminada na zona Norte.
“Vinha cá muita gente do Porto, Braga e Guimarães”, conta, saudoso da época de ouro do negócio dos restaurantes chineses.
Os anos passaram, a concorrência aumentou e os lucros baixaram. Ter um restaurante passou a ser um fardo e havia que encontrar algo que permitisse ter uma vida com menos stress. Sabiamente, Ye reconverteu o restaurante no bazar Long Feng. “Dava muito mais trabalho, era mais dispendioso e já estou a ficar velho. Queria uma coisa mais calma”, contou Ye ao CM.
O comerciante é a personificação da maior das dificuldades dos emigrantes chineses em Portugal. Apesar ter chegado há mais de duas décadas, tem ainda muitas dificuldades na comunicação. “Com os clientes, como são coisas rápidas, não há problema, mas para conversas mais longas é difícil”, afirmou Ye.
Mas será que é a comunidade que se auto-exclui e não procura a integração ou a língua é de facto uma barreira inultrapassável para estabelecer relações de maior sociabilidade?
João Nuno, da Rádio Onda Viva, é coordenador de um programa bilingue (português e mandarim) e afirma que o desconhecimento do português prejudica a relação entre portugueses e chineses. “Quem convive de perto com eles sabe que são bastante sociáveis”, afirma. Y Ping Chow, por seu lado, afirma que apesar de haver algum esforço, a comunidade “não faz tudo o que podia”.
Com cerca de um ano de existência, a ‘Janela da China’, emitido todos os dias ao início da tarde, junta Yu Yong, professora no Colégio Chinês do Porto, e Jade, uma jovem aluna de português da Universidade do Minho.
“O programa tem notícias sobre a comunidade, internacionais e Portugal. Tenta ajudar a resolver problemas burocráticos relacionados com a legalização dos imigrantes”, conta João Nuno. Durante uma hora de emissão, Yu Yong dá ainda aulas de português e ensina também o mandarim. “Há muitos chineses que só falam o dialecto da zona de onde vêm e não sabem mandarim, o que, dentro da comunidade, gera problemas de comunicação”, assegura o radialista.
Yu Yong é uma ‘faz tudo’ da comunidade. Está em Portugal há 12 anos e por cá casou. Não pensa voltar à China. Professora no Colégio Chinês do Porto, tradutora e intérprete em casos jurídicos que envolvem chineses, afirma que há “cada vez mais portugueses a querer aprender mandarim”.
Com grande conhecimento de portugueses e chineses, afirma que a globalização uniformizou as características dos dois povos. Todavia, reconhece que as camadas menos escolarizadas ainda têm alguns preconceitos em relação aos casamentos entre chinesas e pessoas de outras comunidades.
“Na zona de Braga, houve quem mandasse os filhos para a China para lá arranjarem namorado e casar”, conta Yu Yong.
De tempos a tempos, surgem histórias que ligam os chineses ao submundo do crime. Da actividade das tríades ao jogo clandestino, passando pela inexistência de registo de mortos, quase tudo se associou àquela comunidade.
“Como é lógico, os chineses morrem e muitos morreram cá em Portugal, agora não sei por que é que isto não está registado. Quando uma pessoa morre no hospital, tem que se passar uma certidão de óbito para ser enterrada. Posso dizer que nos jazigos portugueses há muitos chineses enterrados”, conta Y Ping Chow.
No que diz respeito ao jogo clandestino, o líder da Liga dos Chineses não enjeita que o jogo seja uma das paixões dos orientais, mas desmente que o façam de modo ilegal. Agora, não n que “em festas se juntem amigos a jogar a dinheiro”.
Recentemente, na Varziela houve uma vaga de assaltos que alarmou os comerciantes, principalmente os mais ricos. Desconfia-se de dois gangs, um de portugueses e outro de chineses. Começou a circular que haveria traições dentro da comunidade. “ Já identificámos quem são as pessoas que vivem bem e não trabalham. O que fazemos a esses informadores é afastá-los da comunidade, porque como estão legais não podemos expulsá-los. Deixámos de lhes dar confiança e de os convidar para as festas”, revela Y Ping Chow.
Na zona industrial da Varziela, em Vila do Conde, o corrupio de camiões é constante. Carregam e descarregam material e vêem-se caixotes espalhados por todo o lado.
A família Wang está estabelecida naquela zona há mais de uma década. Têm armazém na zona industrial e uma loja no Porto. Reconhecem que o negócio já foi mais lucrativo. “Se antes havia dez lojas, agora há 200 para o mesmo mercado”, afirmou Nuno Wang, de 22 anos, já nascido em Portugal.
“Queremos ganhar dinheiro e temos de nos esforçar o que for preciso para o conseguir”, afirmou Nuno.
Além da Varziela e de Porto Alto, a comunidade espera crescer no Alentejo. Para isso, já há projectos para a construção de uma nova zona industrial.
Y Ping Chow, presidente da liga dos chineses, diz que os empresários portugueses têm de ser mais “aventureiros e jogadores”
- CM – A comunidade chinesa tem aumentado em Portugal?
- Y Ping Chow – Ultimamente não tem vindo muita gente. Se não tiverem a possibilidade de legalização como chamariz, os que estão ilegais noutros países não vêm para cá. Se querem emigrar escolhem Itália, Espanha ou França. O que tornava Portugal um país atractivo era a possibilidade de facilmente se obter a legalização.
- Há muitos ilegais no nosso país?
- Dos 20 mil que estão em Portugal, penso que cinco mil estarão indocumentados.
- Tem havido transformações no tipo de negócio a que se dedicam?
- Antes, os chineses que chegavam montavam um restaurante porque não havia concorrência e era mais fácil ter lucro. Os emigrantes que chegaram a partir de 2000, maioritariamente, já estavam na Europa e tinham contactos com as indústrias chinesas. Era para eles mais fácil criar uma loja ou um armazém.
- Como vê a acusação de concorrência desleal feita pelos comerciantes portugueses?
- Nas empresas portuguesas, como a cadeia de produção é muito maior, têm de contar com margens de lucro maiores. Os chineses são patrões e empregados ao mesmo tempo e não precisam de lucros tão grandes. Desde que haja ganhos acima do custo, já dá para vender.
- Que características é que os empresários portugueses têm de ter para singrar no mercado chinês?
- Os empresários portugueses têm hipóteses de ter sucesso no mercado chinês porque não são menos inteligente do que os outros. Precisam é de ser mais aventureiros, mais jogadores, não contar com negócios que tenham taxas de sucesso de 90 por cento.
- De tempos a tempos surgem boatos em relação à comunidade. A última foi a de tráfico de órgãos nas lojas chinesas. A que atribui essas difamações?
- No princípio não ligámos porque pensámos que era uma coisa sem importância em que ninguém acreditava, mas depois começou a ganhar maiores proporções e as lojas notaram uma quebra nas vendas.
- Que medidas tomaram?
- Fizemos queixa à polícia. Já foi descoberto que eram uns fulanos da zona de Coimbra, ligados à extrema-direita. Ninguém foi detido.
As recentes acções da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) nos restaurantes chineses abalou o negócio. O presidente da Liga dos Chineses e também proprietário de um restaurante, Y Ping Chow, afirma que a quebra de afluência foi de 60 por cento. A diminuição do volume de clientes levou os donos a adoptar uma solução caricata. “Mesmo os que cumpriam as normas foram afectados, por isso houve alguns restaurantes chineses que passaram a denominar-se japoneses porque é mais fácil ser lucrativo. No fundo, são chineses a fazer sushi”, diz ao CM Y PIng Chow. O presidente da Liga dos Chineses critica a projecção mediática que o caso teve e considera que houve discriminação. “Protestámos contra a propaganda negativa que se fez aos restaurantes chineses, não contra a fiscalização. A mensagem que passou foi discriminatória porque em situações parecidas não se fez a mesma divulgação dos casos”, diz Y Ping Chow.
Chen Jian lidera na venda de produtos ‘made in China’
- 09h00
O dia de Chen Jian, de 44 anos, que chegou a Portugal em 1992, tem início pelas 09h00. Contabilista, deixou muito novo a China, onde trabalhava num banco. Depois de viver na Austrália, Hungria e Holanda, decidiu fixar-se em Portugal, onde lidera a venda a retalho.
- 10h00
Chen Jian concentra a sua actividade na zona de Porto Alto, Benavente, depois de em 1994 ter aberto o primeiro armazém de Vila do Conde, um ano depois a primeira loja chinesa no Martim Moniz (Lisboa) e em 2002 o primeiro armazém no Ribatejo. Os armazéns e lojas abrem às 10h00.
- 13h00
O empresário chinês almoça habitualmente no restaurante Paris, em Porto Alto, e tem como prato preferido Bacalhau à Brás. Casado, é pai de dois filhos com seis e16 anos, que frequentam escolas de Benavente. Sobre 2006, diz que “não foi um grande ano para negócios”.
- 15h00
De regresso ao trabalho, aproveita a tarde para visitar clientes e também para ver como andam os negócios pelos vários armazéns que possui. No maior de todos, cuja entrada é decorada com um pagode, procede a obras de remodelação, a fim de criar um centro comercial chinês.
- 19h00
É a hora de encerramento do comércio de Chen Jian. Além dos produtos chineses, o empresário desenvolve a venda dos chamados brindes, com grande saída de objectos cujo tema são os três clubes grandes do futebol. Jian diz torcer pelo Benfica e pela selecção das Quinas.
- 01h00
Depois de jantar, umas vezes em casa, outras com clientes e fornecedores, Chen inicia, à 01h00, os contactos com a China, porque a essa hora são 08h00 no Extremo Oriente. Ao telefone são acertadas as encomendas e referidas as últimas novidades produzidas na China.
- 03h00
O dia de trabalho de Chen termina pelas 03h00. Com a chegada do Carnaval (20 de Fevereiro) as encomendas de fantasias assumem destaque. No próximo mês é também o ano novo chinês, a principal festa do ano. Aos fins-de-semana, Chen e a família gostam de ir à Costa de Caparica.
A comunidade chinesa sente-se ofendida com o boato de que não há registo de óbitos de chineses e de que uma vez morto, o corpo é desfeito na cozinha de um restaurante. Estas são, obviamente, atoardas sem fundamento. O Instituto Nacional de Estatística (INE) possui números de óbitos de chineses. Nos últimos seis anos, morreram 33, um número que, face à dimensão da comunidade, é equivalente aos mortos de outros países. A maioria dos chineses prefere enviar as cinzas dos familiares para a China, mas há também enterros e Liang Zhan dá o exemplo do cunhado Zheng, sepultado em Vila Franca de Xira.
O rumor de que há roubo de órgãos nas lojas cria também revolta na comunidade. “Todos os dias, chegam clientes às lojas a dizer que ouviram falar...”, diz Liang Zhan
- N.º habitantes chineses
1000 (homens: 650 / mulheres: 350)
- Tipo de negócio
A Zona Industrial da Varziela é maioritariamente composta por armazéns que abastecem as lojas de toda a região Norte.
- Zonas da China
Os emigrantes provêm maioritariamente de Zhejiang.
- N.º habitantes chineses
300 (homens: 165 / mulheres: 120 / crianças: 15)
- Tipo de negócio
Trabalham, na maioria, no comércio a retalho, em grandes armazéns. Há também restaurantes e pequenas lojas.
- Zonas da China
A maioria vem da província de Zhejiang, 800 km de Xangai
Jing Huang, de 20 anos, frequenta o segundo ano de Gestão no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. Aos 9 anos chegou a Portugal, aprendeu a nossa língua e, num ano, fez os três primeiros da primária. Vive dividida sobre qual é o seu país.
Liang Zhan publica, desde 1999, o jornal para a comunidade chinesa Pu Hua Tongxun (Jornal ‘Sino’), em Lisboa. Com uma tiragem semanal de três mil exemplares, informa sobre a vida da comunidade, dá notícias de Portugal e legislação destinada aos imigrantes.
João Miguel Chenmei nasceu há 15 anos, em Portugal. Os pais vieram para o nosso país como professores de ginástica. Aluno do 10.º ano de Economia, João joga nos juvenis do Odivelas Futebol Clube como lateral esquerdo e deseja ser alguém no futebol.
Ye Peirong, de 66 anos, é um dos mais antigos representantes da comunidade em Portugal. Viveu os anos de ouro dos restaurantes chineses na década de 80 e 90. Sapiente, soube acolher a mudança e, mais velho, preferiu reconverter o negócio num bazar.
Yu Yong, de 34 anos, está há 12 anos em Portugal e esta mulher dos sete instrumentos para além de professora no Colégio Chinês, do Porto, participa no programa bilingue da Rádio Onda Viva. Ainda tem tempo para fazer de interprete e tradutora.
A China lidera no fabrico de produtos com temas típicos da cultura portuguesa. Galos de Barcelos, imagens de Nossa Senhora de Fátima, bandeiras dos clubes ou tapetes tipo Arraiolos ‘made in China’ invadiram os lares nacionais.