
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
Mais do que uma ameaça, a China é, hoje, uma oportunidade de mercado para as empresas portuguesas com bons produtos, imagem de marca e agilidade.
“Mais importante do que ter muitos milhões de euros para investir na China, é preciso ser bom no que se faz e ter agilidade. É o caso da Habidecor, cujos responsáveis foram várias vezes à China com o intuito de encontrar um parceiro e investidor interessado em desenvolver o potencial dos seus artigos no mercado”, revela Pedro Vieira, presidente-executivo da Market Access, uma empresa de consultoria com sede no Porto e uma presença local em dez países, cobrindo quatro continentes.
A partir do seu escritório na China, em operação desde a criação da empresa, em Maio de 2005, desenvolveu já um considerável número de projectos neste mercado e apresenta resultados concretos dos seus serviços. Além da Habidecor & Abyss, também a empresa portuguesa de roupa interior Impetus recorreu aos serviços de «marketing» da Market Access, com o objectivo de melhorar a sua imagem de marca na China e potenciar o crescimento das vendas. A Impetus criou uma marca local e está hoje presente nas melhores lojas do tipo «department store» chinesas.
“À excepção de alguns sectores-chave, já não é necessário estabelecer uma «joint-venture», mas encontrar um importador ou um parceiro que conheça bem o mercado e os canais de distribuição. Os chineses querem produtos competitivos e fazer dinheiro de uma forma rápida”, afirma o mesmo consultor.
Depois de colocar os produtos da empresa de bolachas Vieira de Castro no mercado chinês, a Market Access está a trabalhar para a P&R Têxteis no sentido de encontrar um parceiro local para distribuir a marca Onda e preparar a sua participação numa feira da especialidade na China. A consultora aconselha os seus clientes a fazer, pelo menos, uma visita prévia à China para obterem uma melhor perspectiva do mercado, do clima de negócios e das pessoas. “Os empresários chineses apreciam encontros face-a-face e os portugueses devem tirar partido da sua tradicional capacidade de relacionamento com outros povos. As relações pessoais - «guanxi» - são importantes na China”, conclui Pedro Vieira.
“Eles têm tanta dificuldade em lidar com o mundo ocidental, como nós com eles. Muitas vezes, por desconhecimento, mas os chineses têm uma grande vontade de aprender. Ainda nos conhecemos muito mal”, observa Fernanda Ilhéu, secretária-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, uma instituição que conta com um total de 180 associados (20 dos quais de Macau). Entre estes, destaque para as empresas que já têm uma presença efectiva na China, como a Efacec (transformadores e produtos de média tensão), a Profabril (pontes e outras infra-estruturas) e a Organtex, que instalou um escritório em Xangai, em 2005, e subcontrata empresas da região para a produção de vestuário de moda e têxteis para o lar. Neste sector, também a Tebe - Empresa Têxtil de Barcelos e o Grupo Paulo de Oliveira, da Covilhã (o maior fabricante europeu de lanifícios), desenvolveram estratégias de entrada no grande mercado asiático.