
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
Primeiro-Ministro leva comitiva escolhida a dedo com o assumido objectivo de reforçar relações económicas e empresariais com uma potência em crescimento.
A ausência do Presidente da República Popular da China ainda levou o primeiro-ministro português a ponderar o adiamento da viagem: Hu Jintao estará em Moçambique durante a próxima semana. Mas ponderados os prós e os contras, as datas da viagem de José Sócrates a Pequim, Shanghai e Macau acabaram por se manter: segundo a justificação oficial, teria mais custos voltar a conciliar para nova data as agendas dos 74 empresários (e banqueiros) que acompanham o chefe do Executivo com as dos empresários locais, do que deixar para Novembro (data da cimeira China/União Europeia) os encontros bilaterais entre os representantes de ambos os Estados.
A prioridade desta visita de Estado é, pois, assumida: o que importa não são as relações políticas, mas as relações económicas. E a prova, se dúvidas houvesse, é a agenda de uma deslocação de apenas quatro dias, onde constam três fóruns de cooperação económica e empresarial (um em cada uma das cidades visitadas), vários encontros com empresas de ponta e outros tantos com empresários e investidores chineses.
Portugal é um dos cinco países europeus com quem a República Popular da China entendeu estabelecer protocolos de parceria estratégica (os outros são a Espanha, a França, a Alemanha e o Reino Unido), que compreendem o diálogo político, reformas económicas, protecção aos investimentos e cooperação nos sectores da Justiça, Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia. Esta visita, adianta São Bento, inscreve-se no âmbito do reforço desse protocolo.
Mas é evidente que mais do que o interesse da China em reforçar os laços com Portugal, é Portugal que tem interesse em reforçar os laços com a China.
Sócrates tem escolhido a dedo os locais que têm merecido as suas deslocações ao estrangeiro. Depois de Angola e do Brasil (e, embora em duração-relâmpago, a Argélia, onde foi no último fim-de-semana, mais uma vez acompanhado da nata empresarial portuguesa), a China - que emerge a uma velocidade estonteante como superpotência económica. Certamente na esperança de conseguir fazer, daqui a um ano, um balanço idêntico ao que faz de Angola (para onde, reclama, depois da sua visita, as exportações portuguesas aumentaram 70%).