
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
A marcha económica de José Sócrates. Os planos dos empresários. A vida secreta do presidente Jintao. África, a grande aposta chinesa.
Depois da Índia, a China. Depois de Cavaco, José Sócrates. O primeiro ministro chega hoje a Pequim para uma visita oficial de cinco dias à República Popular da China. Diferentes latitudes, o mesmo objectivo: criar condições políticas que permitam às empresas portuguesas agarrar novas oportunidades em mercados emergentes.
Seis anos depois da conclusão do processo de transição de Macau, até então tema central nas conversações entre Portugal e as autoridades chinesas, a componente política dos encontros de José Sócrates com o Governo de Pequim é secundária e destina-se, sobretudo, a desbloquear barreiras para o aprofundamento das relações económicas entre os dois países. “O melhor contributo que o Governo pode dar é ter boas relações políticas e diplomáticas com a China”, afirmou o primeiro-ministro no início deste mês, após um encontro com alguns dos principais investidores nacionais na China.
José Sócrates tem como base de trabalho o Acordo de Parceria Estratégica assinado aquando da visita a Lisboa do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.
O documento, firmado em Dezembro de 2005, define um quadro de cooperação bilateral nas áreas política, económica e cultural e nos sectores da ciência e tecnologia, educação e saúde, e estabelece o compromisso de duplicar a balança comercial entre os dois países em três anos. Ao mesmo tempo, Portugal passou a fazer parte do grupo dos eleitos de Pequim, como a França, Espanha, Holanda e Reino Unido.
Os objectivos de Sócrates são claros: abrir portas em mercados emergentes, que registam elevadas taxas de crescimento económico, desbloqueando impasses de ordem política, tendo como objectivo facilitar a inserção dos exportadores nacionais em mercados que apresentam fortes potencialidades ao nível do consumo. “É preciso que os empresários portugueses olhem com novos olhos para as oportunidades que oferece o mercado chinês”, sublinhou o primeiro-ministro na mesma ocasião. Ao todo, Sócrates tem a acompanhá-lo uma comitiva de mais de 70 empresários, representativos de 24 sectores: banca, ambiente, cortiça, química, moldes, tecnologias de informação, energia, turismo e sector automóvel, só para citar alguns exemplos.
Consciente de que esta é uma via de dois sentidos, Lisboa quer ainda contribuir para a captação de investimento directo estrangeiro chinês para Portugal. Talvez por isso seja ainda mais notória a ausência de Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento (API), na comitiva do primeiro-ministro. Hoje, apenas duas empresas, ambas no sector das telecomunicações, estão a trabalhar em Portugal. A Huwai e a ZTE contrastam com uma presença portuguesa de 22 empresas em território chinês. Os dados são elucidativos: em 2005, as exportações nacionais atingiram 170,6 milhões de euros, o que representa um aumento de cerca de 69% face ao ano anterior. Contudo, Portugal representa um lugar pouco relevante no contexto dos fornecedores da China, ocupando, em 2005, a 64ª posição com uma quota de mercado de o,05%.
A nível político, José Sócrates manterá em Pequim encontros com o seu homólogo, Wen Jiaobao, com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Wu Banguo, e com o vice-presidente chinês Zeng Qinghong. Quanto ao presidente chinês, Hu Jintao, estará de visita a África, num périplo que incluirá Moçambique, África do Sul e Sudão.
Depois de Pequim, o programa da visita oficial de José Sócrates à República Popular da China passa por Xangai, o centro económico, industrial e financeiro do país, e Macau, que Portugal administrou até 1999.
O primeiro-ministro viaja acompanhado por cerca de 70 empresários com interesses no mercado chinês. Na lista fornecida pelo Executivo constam nomes como Paulo Teixeira Pinto (BCP) ou João Rendeiro (BPP), com interesses no sector financeiro. Além disso estarão presentes Luís Filipe Pereira (Efacec), Carlos Melo Ribeiro (Siemens), Henrique Granadeiro (PT), Pita de Abreu (EDP), Salvador Guedes (Sogrape) ou António Mota (Mota-Engil). Do lado do Governo estarão presentes os ministros dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, da Economia, Manuel Pinho, e das Obras Públicas, Mário Lino.
São 29,6% os portugueses que consideram que a viagem de José Sócrates é apenas “uma despesa” e 20,5% que a classifica como mais uma visita de protocolo. O mais curioso é a diferença de opiniões quando se tem em consideração a classe social dos inquiridos. Nas classes A/B, 51,7% das pessoas pensa que se trata de um investimento e apenas 15,4% defende que é uma despesa. Pelo contrário, 38,4% das pessoas das classes C2/D vê a viagem como uma despesa.
Mas 28% das pessoas que responderam à pergunta acha que o investimento pode ser compensador. E são mais os que pensam que o investimento é seguro (11,1%) do que perigoso (7,8%). Os inquiridos com menos de 35 anos são muito mais positivos em relação ao investimento na China. Dos jovens entre os 18 e os 24 anos, 22,9% acha que é seguro, contra uma média de 7% dos inquiridos com mais de 35 anos. O medo do risco sente-se sobretudo na classe C1 (40%), mais nas mulheres (33,8%) do que nos homens (28,6%) e mais na Grande Lisboa (32,7%) do que no Porto (29,1%).
São mais as pessoas que consideram que Portugal não ganha nada em reforçar as relações comerciais com a China (27,4%), do que aquelas que acham que se abre um mercado maior para as exportações portuguesas (22,1%). O resultado é sobretudo influenciado pela opinião dos inquiridos com mais de 65 anos, os que pensam que Portugal não tem nada a ganhar (35,5%), contra 60% dos jovens com menos de 24 anos, que vê mais oportunidades de negócio nas relações com a China. Também 59,7% dos indivíduos das classes A/B privilegia as oportunidades, contra 34,2% das classes C2/D.
A maior parte dos portugueses (39,2%) considera que Portugal aproveitou “nem bem nem mal” a sua presença em Macau para desenvolver as relações comerciais com a China. Que a aproveitou mal é a opinião de 15,7% dos inquiridos. Os menos críticos, são as pessoas com mais de 65 anos: 4,3% acha que o período de administração portuguesa foi muito bem utilizado, enquanto nas outras faixas etárias só 1% pensa assim. As opiniões “muito mal” são mais expressivas entre os portuenses (5,6% contra 3,4% dos lisboetas), as pessoas das classes A/B (5,4%) e os homens (6,4% contra 2,2% das mulheres).
Logo a seguir à Espanha, na lista de prioridades das pessoas que responderam ao inquérito da Marktest, aparecem todos os PALOP (17,9%) e os novos países da União Europeia (17,7%). Muito para trás ficam Angola (10,3%), Brasil (9,7%), Alemanha (5,4%), Índia (2,4%), Médio Oriente (2,2%) e China (1,6%). O Brasil é o preferido dos que têm idade superior a 65 anos (14%). Espanha é defendida, sobretudo, por quem tem entre 25 e 34 anos. Todos os PALOP são a principal prioridade dos indivíduos das classes A/B. Os novos países da UE têm a preferência dos jovens entre os 18 e os 24 anos.