
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
Pudesse o tamanho e a importância da comitiva ditar o sucesso de uma visita oficial do primeiro-ministro, e José Sócrates podia já começar a congratular-se com os resultados da sua visita à China.
Quatro ministros - Negócios Estrangeiros, Economia, Obras Públicas e Finanças - e outros tantos secretários de Estado integram a embaixada que irá a Pequim, Xangai e Macau. Se lhe somarmos os 71 empresários, entre os quais os 20 portugueses com os negócios mais relevantes no mercado chinês, e nomes da importância de Paulo Teixeira Pinto, pelo BCP, Mira Amaral, pelo BPI ou António Mota, pela Mota & Companhia, percebemos o peso desta verdadeira missão empresarial.
Mas vai ser preciso muito mais do que nomes importantes para inverter uma relação comercial desequilibrada em 398 milhões de euros para o lado chinês, e algo mais ainda para aproveitar a enorme oportunidade que representa o maior mercado do Mundo, para o qual não passamos do 64.º fornecedor. Quanto a investimentos entre os dois países, estamos falados não existem.
Sócrates tem pois muito Oriente para conquistar e com esse objectivo multiplicar-se-á em vários encontros económicos, o primeiro dos quais logo pelas 9.30 horas (locais) de amanhã, com a abertura do Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal/China 2007. Mas para o Executivo, citado pela agência Lusa, não há dúvidas a visita "ocorre no momento mais favorável para os empresários nacionais" e representa "uma janela de oportunidade para a presidência portuguesa da União Europeia" que se aproxima
Na frente política, o encontro mais importante de Sócrates será também amanhã com o seu homólogo chinês, Wen Jiabao, já que o presidente Hu Jintao parte no mesmo dia para um viagem por três países de África. Uma ausência que chegou a pôr em causa a visita de Sócrates.
A viagem do primeiro-ministro terminará em Macau, onde, sete anos depois da sua entrega aos chineses, os portugueses deverão constatar que da premanência portuguesa durante centenas de anos naquele território pouco se aproveitou para criar laços económicos com a superpotência do século XXI. Sócrates vai tentar abrir uma nova etapa, mas é bom que não seja como o nativo do signo chinês que se comemora este ano, o porco quer as coisas logo e, se não tem resultados imediatos, facilmente desiste. Na China é preciso paciência.
Os 600 chineses radicados na Varziela, Vila do Conde, esperam que a visita do primeiro-ministro português, José Sócrates, à China possa contribuir para melhorar o seu acolhimento em Portugal.
A agência Lusa visitou aquela que é a maior comunidade de chineses em Portugal - representa 3% dos cerca de 20 mil que estão cá radicados - e constatou que a maioria não fala português e vive em circuito fechado. Há, no entanto, "um esforço de plena integração na sociedade", embora condicionado por essa barreira linguística, afirma um dos membros da Associação Comercial e Industrial dos Chineses da Varziela.
Nuno Wang, um chinês de 22 anos que está a tratar de obter a dupla nacionalidade, fala bem português e é formado em Economia, admite que a primeira geração de imigrantes chineses em Portugal "também tem culpas no cartório" porque "continuam muito fechados".
Lin Tsung Hwe, também ouvido pela Lusa, e que é tradutor numa espécie de Loja do Cidadão chinês, defende que a integração deixou há muito de ser um problema para os chineses mais novos, concluindo que esses "já só sabem que são chineses quando se olham ao espelho".
Em Novembro do ano passado, dois chineses da Varziela foram levados a tribunal sob suspeita de terem disparado sobre um assaltante, o que provocou o primeiro protesto público desta comunidade ainda muito fechada sobre si mesma. Nessa altura, o embaixador chinês em Lisboa foi ao Governo Civil do Porto exigir um reforço policial no local e o tema chegou a ser notícia no "Ponto Final", um semanário de Macau.
"Agora há mais polícia e melhor iluminação. As coisas estão bem melhores", admite Xau Ai Jin, de 43 anos, que há um quarto de século vende calçado na "Chinatown" da Varziela. Para Xau Ai "é justo" que a comunidade chinesa seja protegida, porque "trabalha muito, gera emprego para portugueses e não causa problemas".
Talvez porque adopta este modo de estar, aquela comunidade sente-se "invejada" e enfrenta, impotente, problemas como uma sucessão de boatos sobre supostos raptos em lojas chinesas. A dimensão de boatos levou a Comissão para a Igualdade a formular uma queixa contra incertos na Procuradoria-Geral da República.