
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
O jornal oficial chinês em língua inglesa de maior circulação na China dá hoje destaque de primeira página à visita de José Sócrates, com uma fotografia do primeiro-ministro português sorridente a ocupar a capa da edição para o mercado chinês.
O texto do "China Daily", que se baseia numa entrevista exclusiva que Sócrates deu ao jornal ao chegar à China, na terça-feira, destaca a ideia de que o primeiro-ministro português "pretende passar uma imagem moderna de Portugal para atrair investimentos chineses para o país".
"Estou aqui para reforçar os laços políticos entre Portugal e a China e alargar as nossas parcerias estratégicas em todos os domínios", afirmou Sócrates n a entrevista publicada na primeira página do jornal oficial chinês.
Na mesma entrevista, Sócrates confessou estar "ansioso por visitar a moderna Macau", onde esteve alguns meses antes da passagem administrativa da região p ara a China em 1999.
"Macau é hoje um exemplo de sucesso e contribui muito para o crescimento d a China", acrescentou o primeiro-ministro.
José Sócrates, que iniciou terça-feira uma visita oficial à China, que se prolonga até 04 de Fevereiro, anunciou ainda a assinatura de acordos de cooperação com o seu homólogo chinês Wen Jiabao nas áreas da justiça, economia, finanças , cultura e fiscal, e revelou que as duas partes estão a trabalhar conjuntamente para assinar um pacto em matéria de extradição.
O primeiro-ministro português sublinhou que a questão de África também estará na agenda da visita à China, na procura de uma "coordenação das políticas" d os dois países em relação ao continente africano.
No segundo semestre de 2007, Portugal vai organizar em Lisboa a Cimeira UE-África e Sócrates relembrou que "as relações de Portugal e da Europa com os países africanos são ancestrais e muito especiais".
As relações entre a União Europeia e a China estarão ainda, segundo o "Chi na Daily", no topo da agenda do encontro de hoje entre Sócrates e o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, já em preparação para a Cimeira UE-China, que irá decorrer em Novembro em Pequim.
"A Cimeira será uma boa oportunidade para os países europeus e a China discutirem questões políticas e económicas", disse José Sócrates, que classificou o embargo europeu à venda de armas para a China como "um assunto sensível" que estará em debate.
O embargo de venda de material militar à China foi imposto pela União Euro peia no seguimento da repressão governamental dos manifestantes pró-democracia na Praça de Tiananmen em 1989.
Segundo as regras da União Europeia, a decisão de levantar o embargo de venda de material militar à China só poderá ser tomada por unanimidade dos 25 país es membros.
O "China Daily" analisa também a história recente das relações entre Pequi m e Lisboa, e refere, citando académicos chineses, que as relações sino-portuguesas tiveram um grande avanço desde o retorno de Macau à China.
"A suave passagem de Macau para mãos chinesas e a sua contínua prosperidade reforçaram bastante a confiança portuguesa no governo chinês e abriram uma nova página no estabelecimento de relações cordiais entre os dois países", disse Zhao Junjie, investigador da Academia de Ciências Sociais de Pequim.
Zhao disse ainda que o uso de Macau como uma plataforma de comércio para ligar a China aos países lusófonos é uma "estratégia inteligente", e que Portugal considera esta cidade do litoral sul chinês como um exemplo da sua cultura no oriente.
De acordo com dados oficiais chineses, o comércio bilateral entre Portugal e a China atingiu em 2006 os 1,7 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), uma subida de 40 por cento em relação ao ano anterior.
A China é o terceiro maior mercado para as exportações portuguesas fora da União Europeia.