
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
Primeiro-Ministro e comitiva chegaram ontem a Pequim mas, oficialmente, a visita só começa hoje.
PT vai participar na primeira "joint-venture" criada pelo ministério das Comunicações chinês.
Mal o avião fretado pelo Governo português para esta viagem pela China aterrou percebeu-se que não estamos num país qualquer. O derradeiro percurso da aeronave, até estacionar junto dos numerosos carros preparados para levar a comitiva até aos seus alojamentos, estava definido por soldados do Exército da Libertação do Povo, impecavelmente perfilados de costas para o avião, no frio de quatro graus que ontem se fazia sentir em Pequim. É assim que os chineses gostam de mostrar o seu poder, com pompa e organização irrepreensível.
À saída do avião, uma passadeira vermelha e a guarda de honra esperavam José Sócrates . E foi no final dela que o Primeiro-Ministro português prestou as primeiras declarações aos jornalistas "No espaço de alguns anos, queremos duplicar as nossas exportações para a China - em 2006, registou-se um crescimento de 60 por cento, contando com Macau, Hong-Kong e Singapura -, e, para tal, queremos um melhor relacionamento político e uma diplomacia mais eficiente", disse, definindo o principal objectivo desta viagem de cinco dias, o reforço dos laços económicos.
De qualquer forma, Sócrates não esqueceu a componente política, afirmando que "Portugal tem interesse em desenvolver relações políticas com a China, mas a China também tem interesse em desenvolver essas relações, porque Portugal está na União Europeia (UE), tem ligações privilegiadas com África e possui um papel de revelo nas principais instituições internacionais". No horizonte está a preparação da presidência portuguesa da UE.
De qualquer forma, é a economia que marca o primeiro dia do programa oficial do Primeiro-Ministro que, logo pelas 9.30 horas locais ( menos oito horas em Portugal), presidirá à abertura do Fórum de Cooperação Económica e Empresarial Portugal/China 2007. De seguida assistirá à constituição de uma empresa, a Archway, com participação da Portugal Telecom, naquela que é a primeira "join-venture" do Ministério das Comunicações chinês. A cerimónia decorrerá no Palácio do Povo. Já ontem, Portugal e a China decidiram criar um grupo de trabalho para estudar oportunidades de investimento bilateral, resultado da reunião da Comissão Mista Económica Luso-Chinesa, presidida pelo secretário de Estado do Comércio português e pelo seu homólogo chinês. A constituição deste grupo será um dos vários acordos a firmar hoje no encontro que Sócrates irá ter com o Primeiro-Ministro, Wen Jiabao.
No final das suas declarações aos jornalistas, José Sócrates tomou o lugar a bordo de um comprido Mercedes negro para mais uma vez testemunhar a forma como os chineses se empenham na organização destes momentos. O trânsito em redor do aeroporto, numa cidade que chega a ter 11 horas diárias de congestionamento, tinha sido cortado uma hora antes da chegada do governante português para lhe permitir viajar por estradas vazias até às instalações reservadas para entidades oficiais estrangeiras.
O presidente da ViniPortugal, Vasco d'Avillez, defendeu ontem, em declarações à Lusa em Macau, que os produtores portugueses de vinho têm de "rapidamente" encontrar mercados de exportação como a China, para compensar a diminuição do consumo interno. Vasco d'Avillez lembrou que "Portugal teve em 2006 uma produção de 6,5 milhões de hectolitros e apenas dois terços (4,6 milhões) foram vendidos no mercado interno. Meio milhão ficou por vender". Para evitar problemas no sector é preciso encontrar novos mercados e a China é uma possibilidade.
Não é só Cavaco Silva que lança na Internet as suas viagens oficiais. Os mais curiosos, ou aqueles que estejam a pensar em investir aqui, podem ver e ouvir a mensagem do primeiro-ministro, José Sócrates, e consultar vários dossiers numa página especialmente construída efeito. Disponível em http//www.missaochina.gov.pt/.
Nessa página é possível encontrar um dossier do ICEP com vários conselhos práticos para quem pense negociar no "império do meio". Por exemplo, em relação a possíveis presentes é de evitar livros, porque o termo em mandarim é muito parecido com a palavra "perder", chapéus ou bonés verdes, pois são considerados símbolo de marido traído, ou ofertas embrulhadas em papel branco, sinónimo de luto. É de ter sempre à mão muitos cartões de visita, traduzidos em mandarim e - mais difícil para os portugueses - a pontualidade é obrigatória.
Novidades chinesas
Nas ruas do centro de Pequim, abundam as lojas de marcas internacionais e os grandes cartazes de publicidade com destaque para as estrelas do basquetebol. As artérias estão impecavelmente limpas, mas basta alguns passos para as ruas adjacentes para se descobrir o verdadeiro bazar chinês, com o típico cheiro a comida e muito lixo espalhado pelo chão. As duas novidades do momento à venda eram uns "feijões metálicos", que quando atirados no ar fazem ruído e uns bonecos de borracha que se espalmam quando atirados para uma superfície lisa. Não deve faltar muito para chegarem a Portugal.