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O acordo

No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.

O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.

O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.

Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)

Rolando Borges Martins
Parque EXPO 98, Presidente
30/01/07

Portugal pode vir a ser importante plataforma mundial de produtos chineses

Mota-Engil e gigante chinês assinam hoje acordo que prevê utilização da plataforma do Poceirão como placa giratória de produtos para África e América

Mota-Engil e gigante chinês assinam hoje acordo que prevê utilização da plataforma do Poceirão como placa giratória de produtos para África e América

Os Primeiros-Ministros português e chinês presidirão hoje à assinatura de um acordo entre a Mota-Engil e o Nan Kwong Group, em Pequim, que prevê a utilização de Portugal como uma gigantesca placa giratória de produtos oriundos da China, por via marítima.

A plataforma do Poceirão, concelho de Palmela, um projecto da Mota-Engil, será a infra-estrutura base para receber as exportações chinesas.

Segundo o gabinete de José Sócrates e representantes da Mota-Engil, a situação geostratégica de Portugal é vista por Pequim como uma boa opção para a redistribuição das exportações para outros países do Sul da Europa, para África e para a América Latina.

Do lado português, a ideia é rivalizar com a hegemonia actual do porto de Roterdão e antecipar as obras de melhoramento do canal do Panamá, previsivelmente concluídas em 2015, e que transformarão Portugal num porto atlântico europeu privilegiado.

O Governo prevê que a utilização do país como placa giratória possa criar novos pólos empresariais, nomeadamente relacionados com o acondicionamento e a reembalagem de produtos.

Segundo explicou ao PÚBLICO Gonçalo Moura Martins, presidente da Mota-Engil Ambiente, o acordo assinado hoje é um "memorando de entendimento" que pretende aproveitar quer o aumento exponencial das exportações chinesas, quer a futura plataforma do Poceirão, no concelho de Palmela, um investimento de perto de 500 milhões de euros, que deverá criar oito mil postos de trabalho.

Para além de passarem nas imediações da plataforma várias rodovias importantes, com ligações por auto-estrada ao Algarve, ao Norte do país e a Espanha, a infra-estrutura do Poceirão beneficia ainda da ligação ferroviária com Espanha, desde Sines, passando por Évora e Beja.

Nestas circunstâncias o porto de Sines, um "porto de excelência", é para o Governo a hipótese mais forte para receber os produtos vindos da China. Mas a Mota-Engil não descarta, para já, quer o porto de Setúbal, quer o porto de Lisboa, uma vez que ambos têm boas condições para acolher navios de grande porte e estão aquém do seu limite de uso.

Um membro do gabinete do Primeiro-Ministro, José Sócrates, que ontem aterrou em Pequim, considera o acordo "de grande importância para o país", elegendo-o como um caso paradigmático do espírito da visita oficial à China, que durará quatro dias e passará ainda por Xangai e Macau.

O papel do Executivo neste processo foi sobretudo de intermediário diplomático.

A Mota-Engil apresentou o projecto no Verão do ano passado à embaixada chinesa em Lisboa. Esta, por sua vez, mostrou "imediatamente interesse" na proposta e designou um parceiro chinês: o Nan Kwong Group - um monstro empresarial do Estado, com interesses económicos em várias áreas, cujo presidente tem o estatuto de um vice-presidente na hierarquia do Governo.

A empresa, segundo apurou o PÚBLICO, estará também envolvida num acordo a assinar dentro de dois dias, quando José Sócrates estiver em Macau, desta feita para a criação de um centro de distribuição de produtos portugueses naquele território.

Pelo lado do Governo, o Ministério das Obras Públicas tomou conhecimento da proposta e "apoiou-a desde o início". Depois de contactos entre as embaixadas chinesa e o Governo de Pequim, um grupo de representantes do Nan Kwong esteve em Portugal no início deste mês, para conhecer os pormenores do projecto.

O acordo tem um prazo inicial de um ano, durante o qual os dois lados do negócio se comprometem a manter uma "cooperação exclusiva" nesta matéria.

Hoje, José Sócrates estará num fórum económico de manhã, visitará a Cidade Proibida a seguir ao almoço e manterá um encontro com o Primeiro-Ministro, Wen Jiabao, no Palácio Novo, pelas 17h30. Amanhã parte para Xangai e no dia seguinte para Macau.

31/01/2007 16:58 | Ricardo Dias Felner, Público

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O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
  • O Primeiro Ministro, José Sócrates, é saudado pelo chefe do Governo de Macau, Edmund Ho, ao chegar ao Palácio do Governo, na Praia Grande
  • Primeiro Ministro, José Sócrates, no início da visita à Torre de Macau, ao lado em empresário Stanley Ho
  • Primeiro Ministro, José Sócrates, com responsável da pasta da Economia e Finanças do Governo de Macau, Francis Tam

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