
No dia em que o Primeiro Ministro e a comitiva visitaram a Organização da Exposição mundial de Xangai 2010, a Parque EXPO finalizou um acordo com a entidade que se vai ocupar do plano de desenvolvimento no pós-EXPO.
O acordo com a EXPOLAND foi finalizado durante a bolsa de contactos do seminário económico da manhã de hoje, em Xangai, e traduz-se numa assessoria regular, com início imediato, da Parque EXPO, envolvendo a deslocação periódica de quadros – caso de arquitectos e urbanistas – a Xangai e o intercâmbio de experiências no desenho urbano da integração do recinto da Exposição na cidade.
O impulso final para o acordo foi dado, nesta visita oficial do Primeiro Ministro, pelo reconhecimento de ambas as partes do modelo exemplar decorrente da EXPO’98.
Deste modo se dá corpo ao verdadeiro espírito que preside, há mais de um século, à realização de exposições: a troca e a partilha de experiências. Neste caso, para uma exposição mundial, cujo tema é “Better City, better life” (melhor cidade, mais qualidade de vida)
José Sócrates considera que a China está a mudar a ordem mundial, é uma das mais pujantes economias emergentes, e que Portugal tem de estar presente, de ter mais empresas na China, independentemente dos juízos políticos que se façam, nomeadamente acerca da situação dos direitos humanos. «Temos de moldar a nossa política externa à medida que vão evoluindo as mudanças geopolíticas», afirmou o primeiro-ministro ao DN, em Macau, última etapa da visita de cinco dias à China.
Quanto à situação dos direitos humanos, Sócrates salientou que "relações políticas entre a UE e a China ganharam uma grande maturidade nos últimos anos, que tem permitido abordar a questão de forma directa nos contactos bilaterais", o que não acontecia no passado, nomeadamente na sequência do massacre de estudantes pró-democracia, em Tiananmen, em 1989. Só que, afirma Sócrates, cada vez que a UE coloca em cima da me- sa as alegadas violações dos direitos humanos, Pequim faz questão de salientar que, pelo contrário, a sua po- lítica tem tirado milhões de pessoas da pobreza. E acaba por prevalecer o pragmatismo, que, assinala o che- fe do Governo, nem sequer é exclusivo no quadro dos relacionamentos da comunidade internacional, apontado o caso da Rússia, com a qual o Ocidente mantém relações económicas plenas, apesar dos problemas políticos.
Ao DN, Sócrates lembrou ainda que, "na última década, a China tem vindo a desenvolver uma relação muito amistosa com a comunidade internacional", em contraste com o que acontecia no passado, sendo disso exemplo a defesa do multilateralismo, o envolvimento na crise do Médio Oriente (a China enviou soldados para o Líbano) e, principalmente, o papel negocial que assumiu na crise sobre o nuclear da Coreia do Norte. Já ontem de manhã, ainda em Xangai, perante empresários, o primeiro-ministro tinha afirmado que Portugal e a China têm construído uma "relação de confiança mútua", com base no facto de ambos os países "partilharem os mesmos pontos de vista sobre as questões mundiais".
Apesar do bom relacionamento entre Pequim e a UE, por um lado, e Pequim e Lisboa, por outro, Sócrates prefere não arriscar prognóstico acerca da conclusão de um acordo entre os dois blocos, nomeadamente envolvendo o fim do embargo de venda de armas da UE à China. Muitos países europeus consideram que já não se justifica essa situação, mas Sócrates prefere não arriscar a resolução do conflito para a cimeira bilateral, em Novembro, em Pequim, e a qual chefiará, na qualidade de presidente em exercício da União.
Quanto à hipótese de uma maior colaboração entre os dois países em projectos económicos em África, Sócrates disse ao DN que, durante a visita a Pequim, não foi Portugal que mais insistiu nessas parecerias, mas sim a parte chinesa, que estará a ter alguns problemas na gestão de grandes investimentos no continente.
Uma declaração que coincide com informações recolhidas pelo DN junto de fonte governamental, segundo as quais as autoridades chinesas terão pedido a Lisboa os bons ofícios no desbloqueamento da tensão existente com São Tomé e Príncipe. O arquipélago não tem relações diplomáticas com a China e reconhece mesmo o Estado de Taiwan (a ilha secessionista que Pequim considera ser parte integrante da República Popular), mas Pequim olha para aquela zona com mais grande interesse desde que se tornou pública a existência de grandes reservas de petróleo na zona, sendo a China actualmente um dos maiores consumidores de energia.
Sócrates considera que a visita à China foi um "enorme sucesso", nomeadamente nas vertentes que o Governo tinha traçado como objectivos centrais para esta operação: melhorar as relações e a cooperação estratégica existente, preparar a cimeira UE- -China e reforçar as ligações comerciais. Porque, como dizia ao DN um membro do Governo, se não houver protecção política forte aos investimentos, nem vale a pena apostar na China.